As vezes músicas entram em mim como ar para respirar.
Dão a sensação de jorro de oxigênio após a inalada de uma fumaça de cigarro. Justinie 12:44 PM
Hoje contei os pingos que saíram do chuveiro
Eram a mesma quantidade: 5.964.718 que caíram ontem
Usei o mesmo shampoo, comecei esfregando o corpo pela mesma parte
Tomei meu café sentada à mesma cadeira
Comi algumas pedras e tomei água de chuva, ácida talvez
No ônibus, o motorista é o mesmo
No trânsito, os semáforos demoram os sempre exatos 91 segundos para ficarem verdes
Leio um livro que me lembra o telejornal
Desço no mesmo ponto
Mudo o trajeto, hoje vou pela rua de cima
Trabalho, copio, colo, escrevo 3 linhas
Muda o lugar, não muda o artista
Muda o artista, não muda o repertório
Muda o repertório, não muda o lugar
Volto
O mesmo ônibus
Outro motorista
O mesmo trajeto
As mesmas caras, um ar cansado
Ligo o chuveiro
Conto os pingos, adormeço e caem alguns a mais
Afago a cachorra, que prefere dormir sempre no mesmo lugar
Deito, leio o telejornal
Adormeço. Justinie 12:43 PM
Terça-feira, Março 18, 2008
Odeio:
- gente que não descobriu o fone de ouvido;
- gente que não sabe o volume do fone de ouvido;
- gente que "prega" no ônibus e no metrô;
Decisão: vou começar a ler alto no metrô e a falar todo o meu fluxo de pensamento no ônibus... quero ver alguém achar estranho. Justinie 6:38 PM
E falando em masculino e femino, estava sem empolgação com o livro que leio agora:
Desvarios no Brooklin, de Paul Auster...
Mas já me vale a pena este Auster.
O trecho em descreve a viuvez feminina de Rufus travestido de Tina Hott traz uma das descrições de luto mais profundas que já li.
Em tempo outro trecho já havia me encantado. A história da boneca que envolve algumas cartas escritas por Kafka.
Kafka é surpreendente. Auster é incrível.
Relato aqui a minha quase fracassada ida ao Teatro Padre Bento em Guarulhos, no último domingo, dia 17 de fevereiro.
Aceitei ao convite de um tio que reside em Guarulhos para assistir a belíssima adaptação da obra de Guimarães Rosa, O homem provisório com direção do renomado Cacá Carvalho e com cinco indicações ao Prêmio Shell 2008.
Salvo pela bela dramaturgia do grupo, o passeio familiar virou uma imensa e desrespeitosa confusão.
Cheguei ao local às 19h para retirar o ingresso e fui direcionada a aguardar em fila no saguão térreo do teatro. Poucos minutos depois, este foyer era tomado por pessoas que tentavam, em vão, se organizar numa fila. Chovia e o público ia rapidamente sendo encaminhado para o interior deste saguão quando surgiu uma funcionária, identificada posteriormente como Simone Carletto, que solicitou às pessoas que se encaminhassem para o andar superior para "não atrapalhar os ensaios".
Algumas pessoas se dirigiram para o andar informado, mas era impossível que todos se locomovessem, pois o saguão superior era visivelmente menor do que o que deveria comportar as quase 300 pessoas que aguardavam no térreo. Sem contar que a platéia era formada por um público atraído pela gratuidade e não pela importância do grupo em cartaz, ou seja, falavam extremamente alto e pouco estava preocupados com os ensaios.
Às 20h05, novamente surgiu a funcionária Simone que avisou que passaria as “pessoas da terceira idade na frente das outras” e as acomodaria no teatro. O meu grupo de pessoas era o segundo da fila, sendo que o primeiro havia "furado" pelo lado direito e se acotovelava com um guarda de portaria chamado Luiz.
Disse à funcionária que seria impossível, naquelas condições, que ela conseguisse separar a terceira idade e acomodá-la primeiro. A porta foi aberta e junto com cinco ou seis pessoas aparentando mais de sessenta anos entraram também jovens adolescentes e adultos. Começou então um bate-boca sobre a desorganização do teatro até que a funcionária me segurou pelo braço e tentou me impedir de entrar no teatro. Lembrei-a de que ela não poderia me tocar e ela soltou meu braço. Entrei no teatro, primeiramente para avisar meus familiares que não ficaria naquele recinto para assistir a tal peça, até que me convenceram que seria um desrespeito ao grupo eu me retirar.
Acomodei-me na minha cadeira e após todas as pessoas se sentarem a funcionária entrou no teatro à minha procura. Como se eu fosse uma criminosa, tivesse cometido algum furto ou a tivesse agredido pediu aos berros que eu e minha irmã, que apenas estava ao meu lado durante a confusão, nos retirassem do teatro. Lembrei-a de que não havia feito nada que permitisse que ela me retirasse no lugar e ela resolveu dizer que me esperaria no final da peça para registrar um Boletim de Ocorrência porque eu havia dito que ela era incompetente.
Bem, não acho que a polícia de Guarulhos, maior Município da região Metropolitana de São Paulo esteja com tempo para perder com a incompetência de uma pessoa para organizar uma fila, mas mesmo assim aguardei por meia hora ao fim da peça, até que perguntei a uma funcionária onde estava a Simone Carletto para encaminharmos o tal Boletim de Ocorrência.
Fui informada de que ela estava "em reunião" às 20h50 do domingo. Tinha outro compromisso e deixei o recado de que não podia mais aguardar.
Sai tão indignada que nem deixei registrado que durante a peça houve uma interrupção devido a uma pane no sistema de energia elétrica e que na minha perna pingou uma goteira durante quase todo o espetáculo. Uma goteira, num teatro recém inaugurado cuja obra de restauro custou 3,1 milhões reais? Eu acho que eu deveria ter perguntado. Deveria ter perguntado também se a Petrobras, que financiou a reforma por meio da Lei Rouanet, estava ciente desta goteira e do despreparo da funcionária em questão.
Ressalto que nunca em meus anos de platéia teatral havia passado por tal constrangimento. Peço que informem a funcionária de que eu sou uma jornalista especialista em cultura, com formação acadêmica pela PUC-SP, que está acostumada com a função de formadora de opinião neste meio. Pergunto se é desta forma que as pessoas são sempre tratadas no Teatro Padre Bento. Informo, ainda, que trabalho há onze anos em uma instituição que gere 33 teatros no Estado de S.Paulo e, nunca vi situação semelhante acontecer.
Fica aqui registrado meu lamento sobre um teatro que nunca mais pretendo por os pés. E que se depender de mim não será pisado também por nenhum amigo, conhecido ou funcionário da classe artística.
Legalmente, ainda não sei o que fazer com esta situação. Profissionalmente já encaminhei a todos que podem se interessar: Petrobrás, Secretaria Municipal de Cultura de Guarulhos, Direção do Teatro Padre Bento, Jornal Olho Vivo, Folha Metropolina, Juizado de Menores (uma vez que a peça tem classificação etária de 14 anos e havia várias crianças no recinto, que presenciaram cenas de nudez e insinuação ao sexo), e aos jornais da capital paulista. Informo também que envio este e-mail ao Cacá Carvalho, diretor ao qual conheço o trabalho de longa data e que esteve de parabéns ao conseguir terminar uma encenação sobre o sertão num teatro em que 'vazava' o som de trovoadas e chuvas, sem deixar que a qualidade teatral de sua montagem fosse diminuída.
Atenciosamente,
O que dizer de um deputado [eleito entre os três mais votados] que arma uma confusão por dizer que uma colega não poderia se prostituir porque é feia?
Queria o meu dinheiro em função nobre: papel higiênico, por exemplo, eu aceito. Justinie 12:13 PM
Segunda-feira, Maio 07, 2007
aforismos sem juízo - por Daniel Piza [Estadão, 6 maio 2007] "O ser humano é a única espécie que ouve uma voz dentro de si o tempo todo.
É um rádio que vê e anda".